A minha vida girava à volta do trabalho e daquilo que me entretinha fora dele. Sentia-me confortável a viver na minha cabeça. A pensar, a analisar, a manter-me ocupada. E nem sequer questionava isso.
A respiração não veio resolver os meus problemas. Ensinou-me a sentir.
Com o tempo, as formas que tinha aprendido a usar para lidar com a vida deixaram de funcionar. Desgostos amorosos, tristeza, desilusões e perdas confrontaram-me com emoções com as quais não sabia lidar e com uma dor da qual já não conseguia distrair-me.
Por baixo de tudo isso estava uma crença antiga, que carregava desde que me lembro: a de que havia alguma coisa de errado comigo. Que não era suficientemente boa. Que o amor era algo que tinha de merecer.
A dor tornou-se tão grande que comecei a procurar respostas e, aos poucos, comecei também a olhar para mim.
Não foi fácil. Quanto mais me permitia sentir, mais havia para sentir. Comecei a perceber quanta dor trazia comigo desde pequena e como me tinha tornado tão boa a fugir dela, muitas vezes sem sequer dar por isso.
A respiração, juntamente com a psicoterapia, ajudou-me a desenvolver, pouco a pouco, a capacidade de sentir emoções que tinha passado anos a evitar, sem me perder nelas.
Comecei a reconhecer os meus padrões, os medos por trás das minhas decisões e as formas como tentava proteger-me de voltar a sofrer. E comecei a compreender algo importante: grande parte do meu sofrimento vinha de acreditar que o problema era eu.
Questionar essa crença tornou-se um dos trabalhos mais importantes da minha vida.
Hoje tenho mais compaixão por mim e o medo já não decide por mim. E, à medida que me fui permitindo sentir as coisas difíceis, fui ficando também mais disponível para a alegria, para o amor verdadeiro, para a conexão e para o simples prazer de estar viva.
Não quero uma vida em que sinta menos. Quero uma vida em que esteja mais presente.


